segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Fundamentalismo islâmico

    Hoje em dia, se vê muita na televisão os terríveis atentados terroristas praticados por radicais muçulmanos. Há pelo menos uns cinco anos, o grupo jihadista Estado Islâmico surgiu no noticiário internacional praticando barbárie contra os iraquianos e sírios. Muita gente não sabe de onde veio esses grupos, porque ele são tão fortes hoje e como surgiu o fundamentalismo islâmico. Eu explicarei nesse texto a história disso:

     O termo "fundamentalismo" tem origem americana, vinda do cristianismo protestante americano. O termo veio de um livro chamado "The fundamentals of faith" (Os fundamentos da fé), que afirmava a literalidade de algumas passagens da Bíblia e que ela não contém erros. Os fundamentalistas se distinguiam dos cristãos liberais, que ao seu ver, distorciam totalmente a fé cristã.
     O fundamentalismo islâmico moderno vem de um intelectual islâmico do século XIX chamado Mohammed Abdó, que achando que o declínio do Islã como religião se devia ao fato dos muçulmanos terem se desviado dos ensinamentos do Alcorão, propunha um retorno às fontes. Em 1928 foi formada a Irmandade Muçulmana no Egito, que considerava que apenas um estado islâmico pautado na Sharia (juridição moral islâmica) seria a única ordem política válida. Ela foi a base para os movimentos do Islã político de hoje em dia (conhecidos como islamistas).
     Durante a Guerra Fria os EUA financiaram vários grupos e insurgências islamistas com o intuito de diminuir a influência da esfera soviética e dos partidos comunistas locais. Por exemplo, eles ajudaram Osama bin Laden e os Talibães contra as tropas soviéticas que invadiram o Afeganistão em 1979, apoiaram o general paquistanês Zia Ul Haq, que instaurou a Sharia no Paquistão em 1977, em que ele mandou executar o social-democrata Zulfikar Ali Bhutto, que defendia um estado laico.
    Os grupos jihadistas e terroristas foram e são financiados pela Arábia Saudita para combater o nacionalismo pan-árabe (Baath) em ascensão a partir dos anos 50 e 60, sendo que seu maior expoente foi o coronel egípcio Gamal Abdel Nasser, que após derrubar a monarquia egípcia em 1953 e proclamar a república, declarou o Egito o centro do nacionalismo árabe anticolonial.
    Infelizmente, a política externa neoconservadora americana que derrubou ditadores como Saddam Hussein e Khadafi, não trouxeram paz aos seus países, pelo contrário. Levaram a guerras civis prolongadas.
    Não é fácil acabar com a força desses movimentos. Mas eu tenho algumas sugestões. Acabar com o apoio econômico à Arábia Saudita e a dependência do petróleo, parar de invadir países sem motivo, apoiar movimentos seculares no mundo muçulmano.

Libertarianismo, esquerda e estado

Eu tenho pesquisado e lido muitas coisas sobre política recentemente, e vendo todos os desdobramentos imprevisíveis e bastante preocupantes da política mundial. A crise das democracias em boa parte do Ocidente (Brasil incluso) tem me deixado bastante preocupado com as coisas que tem acontecido.
Nesse período, eu cada vez mais tenho afirmado minhas convicções políticas e posição no espectro político. Hoje eu me vejo cada vez mais como de esquerda. Tenho simpatias pela social-democracia e seu estado de bem-estar social. Mas acima de tudo, tenho lido e me interessado bastante por uma ideologia: o libertarianismo.
Essa ideologia enfatiza a importância da noção de liberdade, tanto individual, quanto política, econômica, social. Nos EUA e mais recentemente, no Brasil, com a propaganda bem financiada de "think tanks" e grupos picaretas e oportunistas como o MBL, foi associada à direita política, principalmente na esfera econômica. Porém, o que muitos não sabem é que o libertarianismo tem raízes esquerdistas. Eu me identifico mais com o libertarismo de esquerda. Essa ideologia, ao mesmo tempo que defende liberdade individual, também sabe que a igualdade econômica é importante, porque miséria e pobreza extrema também é falta de liberdade.
Nos EUA, como já foi dito, o libertarianismo é associado à direita, com partidos como o Libertário, que defendem liberdade tanto econômica quanto social. Porém, há grupos conservadores que defendem livre mercado.
O libertarianismo é cético quanto a capacidade do poder do estado e se opõem a qualquer forma de autoritarismo e mais ainda totalitarismo. Porém, um erro dos libertários de direita é considerarem que a liberdade econômica garante necessariamente a liberdade social e política, o que nem sempre é verdade. O melhor exemplo que possa se dar a isso é a ditadura chilena de Augusto Pinochet, em que o general ditador teve o apoio econômico dos economistas da Escola de Chicago, liderados por Milton Friedman. A ditadura chilena foi uma das mais mortais do período na América Latina, e teve como resultado um grande aumento da desigualdade social no Chile nas décadas posteriores. Nos regimes fascistas do período entre-guerras, como o nazista e o fascista italiano, embora fossem intervencionistas na economia, também praticaram políticas de privatização, mas mesmo assim ambos eram estados totalitários porque o estado intervia em todas as esferas da vida privada em questões sociais e não econômicas.
Eu considero o libertarianismo de esquerda muito mais condizente com a ideia de liberdade, porque ele entende que só liberdade econômica não basta para você ter uma sociedade funcional, mas que igualdade de oportunidades, econômica e de direitos é que contribuem para isso.
Eu não acho que qualquer forma de intervenção estatal é sempre negativa. Acho que em certas áreas o estado tem que intervir, que grandes corporações tem que ser reguladas para que não façam o que querem, que uma ampla política de bem-estar social deve ser implementada, pois se for parar para pensar a miséria e a pobreza também são falta de liberdade, e igualdade econômica emancipa. Agora, em outras áreas tipo direitos LGBT, o estado não deveria intervir, pois são direitos humanos que não deveriam ser retirados.