Eu tenho pesquisado e lido muitas coisas sobre política recentemente, e vendo todos os desdobramentos imprevisíveis e bastante preocupantes da política mundial. A crise das democracias em boa parte do Ocidente (Brasil incluso) tem me deixado bastante preocupado com as coisas que tem acontecido.
Nesse período, eu cada vez mais tenho afirmado minhas convicções políticas e posição no espectro político. Hoje eu me vejo cada vez mais como de esquerda. Tenho simpatias pela social-democracia e seu estado de bem-estar social. Mas acima de tudo, tenho lido e me interessado bastante por uma ideologia: o libertarianismo.
Essa ideologia enfatiza a importância da noção de liberdade, tanto individual, quanto política, econômica, social. Nos EUA e mais recentemente, no Brasil, com a propaganda bem financiada de "think tanks" e grupos picaretas e oportunistas como o MBL, foi associada à direita política, principalmente na esfera econômica. Porém, o que muitos não sabem é que o libertarianismo tem raízes esquerdistas. Eu me identifico mais com o libertarismo de esquerda. Essa ideologia, ao mesmo tempo que defende liberdade individual, também sabe que a igualdade econômica é importante, porque miséria e pobreza extrema também é falta de liberdade.
Nos EUA, como já foi dito, o libertarianismo é associado à direita, com partidos como o Libertário, que defendem liberdade tanto econômica quanto social. Porém, há grupos conservadores que defendem livre mercado.
O libertarianismo é cético quanto a capacidade do poder do estado e se opõem a qualquer forma de autoritarismo e mais ainda totalitarismo. Porém, um erro dos libertários de direita é considerarem que a liberdade econômica garante necessariamente a liberdade social e política, o que nem sempre é verdade. O melhor exemplo que possa se dar a isso é a ditadura chilena de Augusto Pinochet, em que o general ditador teve o apoio econômico dos economistas da Escola de Chicago, liderados por Milton Friedman. A ditadura chilena foi uma das mais mortais do período na América Latina, e teve como resultado um grande aumento da desigualdade social no Chile nas décadas posteriores. Nos regimes fascistas do período entre-guerras, como o nazista e o fascista italiano, embora fossem intervencionistas na economia, também praticaram políticas de privatização, mas mesmo assim ambos eram estados totalitários porque o estado intervia em todas as esferas da vida privada em questões sociais e não econômicas.
Eu considero o libertarianismo de esquerda muito mais condizente com a ideia de liberdade, porque ele entende que só liberdade econômica não basta para você ter uma sociedade funcional, mas que igualdade de oportunidades, econômica e de direitos é que contribuem para isso.
Eu não acho que qualquer forma de intervenção estatal é sempre negativa. Acho que em certas áreas o estado tem que intervir, que grandes corporações tem que ser reguladas para que não façam o que querem, que uma ampla política de bem-estar social deve ser implementada, pois se for parar para pensar a miséria e a pobreza também são falta de liberdade, e igualdade econômica emancipa. Agora, em outras áreas tipo direitos LGBT, o estado não deveria intervir, pois são direitos humanos que não deveriam ser retirados.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
-
Eu tenho pesquisado e lido muitas coisas sobre política recentemente, e vendo todos os desdobramentos imprevisíveis e bastante preocupantes ...
-
Hoje em dia, se vê muita na televisão os terríveis atentados terroristas praticados por radicais muçulmanos. Há pelo menos uns cinco ano...
-
Eu acho muito engraçado essas pessoas que falam do tal complexo de vira-latas que o brasileiro supostamente possuiria. Tenho a impressão ...
Nenhum comentário:
Postar um comentário