Como eu disse num outro texto, eu não ligava muito pra política, mas nos últimos anos tenho me interessado bastante. Eu sempre defendi pautas social-democratas na economia. Porém, recentemente eu tenho me tornado uma pessoa mais radical, defendendo posições mais de extrema-esquerda. Mas antes de acharem que eu sou alguém que defende as atrocidades do totalitarismo soviético e de outros estados socialistas do chamado "socialismo real" do século XX, deixe-me explicar melhor:
Uma ideologia que eu tenho me interessado e simpatizado bastante nos últimos tempos é o socialismo libertário. Essa modalidade de socialismo, assim como as outras, é anticapitalista, mas ao contrário do marxismo-leninismo, ou até da social-democracia, defende, que a revolução socialista e a implementação do socialismo não deve acontecer via um partido único que controla tudo, criando um estado totalitário, em que não há liberdade, inclusive para a própria classe trabalhadora que diz defender, mas sim que os trabalhadores devem se organizar em grupos, criando sindicatos, cooperativas e trabalho conjunto, enfim, propriedade social dos meios de produção.
Existe exemplos de revoluções socialistas libertárias pelo mundo, como os Zapatistas, que no estado mexicano de Chiapas, fizeram uma revolução em que a produção é feita de forma compartilhada sem um estado tomando conta de tudo. Outra é a que aonteceu em Rojava, região no norte da Síria, em que, num país em plena guerra civil, instituíram um estado laico, com liberdade e diversidade religiosa, dignidade à etnia curda, tão perseguida, principalmente no Iraque (durante a ditadura de Saddam Hussein) e direitos às mulheres curdas e sírias, que são excelentes combatentes no exército, com uma economia socialista em que a produção de bens de consumo é compartilhada entre os habitantes.
Existe um intelectual americano que acredita nesse ideal, chamado Noam Chomsky. Ele é bastante culto e inteligente e eu tenho um grande respeito por ele e sua obra. Numa entrevista, ele disse que o marxismo-leninismo do século XX, entre todas as coisas terríveis que fez, ele ajudou a levar ao descrédito qualquer idéia de socialismo. As pessoas, em especial conservadores americanos, quando ouvem essa palavra, imediatamente associam ao horror totalitário soviético.
Tenho mudado muito minhas convicções políticas e ideológicas com o passar do tempo. Nem acreditava que eu me declararia socialista, pois em também não levava a ideia de socialismo a sério. Porém, vendo o que está acontecendo agora, com a desigualdade social enorme que existe no mundo, especialmente no Brasil, o crescimento da extrema-direita neo-fascista em vários países e a urgência da esquerda apresentar alternativas, eu tenho mudado minhas visões.
Ainda possua convicções social-democratas. Na verdade, apesar de ser libertário de esquerda (O libertarianismo nasceu na esquerda e só nos EUA ele foi apropriada pela direita conservadora ultra-capitalista e neo-liberal) eu acho que em algumas áreas como educação, saúde, seguridade social, proteção a minorias discriminadas, o estado deve sim estar presente.
Ao contrário do que dizia Margaret Thatcher: sim, há alternativa (ao capitalismo neo-liberal) e pobreza não é falta de caráter e fraqueza, é falta de ajuda, humanidade e solidariedade.
Curiosidades do Eduardo
Um blog que como diz o nome irá falar sobre o que eu acho interessante
sexta-feira, 19 de abril de 2019
segunda-feira, 21 de janeiro de 2019
Fundamentalismo islâmico
Hoje em dia, se vê muita na televisão os terríveis atentados terroristas praticados por radicais muçulmanos. Há pelo menos uns cinco anos, o grupo jihadista Estado Islâmico surgiu no noticiário internacional praticando barbárie contra os iraquianos e sírios. Muita gente não sabe de onde veio esses grupos, porque ele são tão fortes hoje e como surgiu o fundamentalismo islâmico. Eu explicarei nesse texto a história disso:
O termo "fundamentalismo" tem origem americana, vinda do cristianismo protestante americano. O termo veio de um livro chamado "The fundamentals of faith" (Os fundamentos da fé), que afirmava a literalidade de algumas passagens da Bíblia e que ela não contém erros. Os fundamentalistas se distinguiam dos cristãos liberais, que ao seu ver, distorciam totalmente a fé cristã.
O fundamentalismo islâmico moderno vem de um intelectual islâmico do século XIX chamado Mohammed Abdó, que achando que o declínio do Islã como religião se devia ao fato dos muçulmanos terem se desviado dos ensinamentos do Alcorão, propunha um retorno às fontes. Em 1928 foi formada a Irmandade Muçulmana no Egito, que considerava que apenas um estado islâmico pautado na Sharia (juridição moral islâmica) seria a única ordem política válida. Ela foi a base para os movimentos do Islã político de hoje em dia (conhecidos como islamistas).
Durante a Guerra Fria os EUA financiaram vários grupos e insurgências islamistas com o intuito de diminuir a influência da esfera soviética e dos partidos comunistas locais. Por exemplo, eles ajudaram Osama bin Laden e os Talibães contra as tropas soviéticas que invadiram o Afeganistão em 1979, apoiaram o general paquistanês Zia Ul Haq, que instaurou a Sharia no Paquistão em 1977, em que ele mandou executar o social-democrata Zulfikar Ali Bhutto, que defendia um estado laico.
Os grupos jihadistas e terroristas foram e são financiados pela Arábia Saudita para combater o nacionalismo pan-árabe (Baath) em ascensão a partir dos anos 50 e 60, sendo que seu maior expoente foi o coronel egípcio Gamal Abdel Nasser, que após derrubar a monarquia egípcia em 1953 e proclamar a república, declarou o Egito o centro do nacionalismo árabe anticolonial.
Infelizmente, a política externa neoconservadora americana que derrubou ditadores como Saddam Hussein e Khadafi, não trouxeram paz aos seus países, pelo contrário. Levaram a guerras civis prolongadas.
Não é fácil acabar com a força desses movimentos. Mas eu tenho algumas sugestões. Acabar com o apoio econômico à Arábia Saudita e a dependência do petróleo, parar de invadir países sem motivo, apoiar movimentos seculares no mundo muçulmano.
O termo "fundamentalismo" tem origem americana, vinda do cristianismo protestante americano. O termo veio de um livro chamado "The fundamentals of faith" (Os fundamentos da fé), que afirmava a literalidade de algumas passagens da Bíblia e que ela não contém erros. Os fundamentalistas se distinguiam dos cristãos liberais, que ao seu ver, distorciam totalmente a fé cristã.
O fundamentalismo islâmico moderno vem de um intelectual islâmico do século XIX chamado Mohammed Abdó, que achando que o declínio do Islã como religião se devia ao fato dos muçulmanos terem se desviado dos ensinamentos do Alcorão, propunha um retorno às fontes. Em 1928 foi formada a Irmandade Muçulmana no Egito, que considerava que apenas um estado islâmico pautado na Sharia (juridição moral islâmica) seria a única ordem política válida. Ela foi a base para os movimentos do Islã político de hoje em dia (conhecidos como islamistas).
Durante a Guerra Fria os EUA financiaram vários grupos e insurgências islamistas com o intuito de diminuir a influência da esfera soviética e dos partidos comunistas locais. Por exemplo, eles ajudaram Osama bin Laden e os Talibães contra as tropas soviéticas que invadiram o Afeganistão em 1979, apoiaram o general paquistanês Zia Ul Haq, que instaurou a Sharia no Paquistão em 1977, em que ele mandou executar o social-democrata Zulfikar Ali Bhutto, que defendia um estado laico.
Os grupos jihadistas e terroristas foram e são financiados pela Arábia Saudita para combater o nacionalismo pan-árabe (Baath) em ascensão a partir dos anos 50 e 60, sendo que seu maior expoente foi o coronel egípcio Gamal Abdel Nasser, que após derrubar a monarquia egípcia em 1953 e proclamar a república, declarou o Egito o centro do nacionalismo árabe anticolonial.
Infelizmente, a política externa neoconservadora americana que derrubou ditadores como Saddam Hussein e Khadafi, não trouxeram paz aos seus países, pelo contrário. Levaram a guerras civis prolongadas.
Não é fácil acabar com a força desses movimentos. Mas eu tenho algumas sugestões. Acabar com o apoio econômico à Arábia Saudita e a dependência do petróleo, parar de invadir países sem motivo, apoiar movimentos seculares no mundo muçulmano.
Libertarianismo, esquerda e estado
Eu tenho pesquisado e lido muitas coisas sobre política recentemente, e vendo todos os desdobramentos imprevisíveis e bastante preocupantes da política mundial. A crise das democracias em boa parte do Ocidente (Brasil incluso) tem me deixado bastante preocupado com as coisas que tem acontecido.
Nesse período, eu cada vez mais tenho afirmado minhas convicções políticas e posição no espectro político. Hoje eu me vejo cada vez mais como de esquerda. Tenho simpatias pela social-democracia e seu estado de bem-estar social. Mas acima de tudo, tenho lido e me interessado bastante por uma ideologia: o libertarianismo.
Essa ideologia enfatiza a importância da noção de liberdade, tanto individual, quanto política, econômica, social. Nos EUA e mais recentemente, no Brasil, com a propaganda bem financiada de "think tanks" e grupos picaretas e oportunistas como o MBL, foi associada à direita política, principalmente na esfera econômica. Porém, o que muitos não sabem é que o libertarianismo tem raízes esquerdistas. Eu me identifico mais com o libertarismo de esquerda. Essa ideologia, ao mesmo tempo que defende liberdade individual, também sabe que a igualdade econômica é importante, porque miséria e pobreza extrema também é falta de liberdade.
Nos EUA, como já foi dito, o libertarianismo é associado à direita, com partidos como o Libertário, que defendem liberdade tanto econômica quanto social. Porém, há grupos conservadores que defendem livre mercado.
O libertarianismo é cético quanto a capacidade do poder do estado e se opõem a qualquer forma de autoritarismo e mais ainda totalitarismo. Porém, um erro dos libertários de direita é considerarem que a liberdade econômica garante necessariamente a liberdade social e política, o que nem sempre é verdade. O melhor exemplo que possa se dar a isso é a ditadura chilena de Augusto Pinochet, em que o general ditador teve o apoio econômico dos economistas da Escola de Chicago, liderados por Milton Friedman. A ditadura chilena foi uma das mais mortais do período na América Latina, e teve como resultado um grande aumento da desigualdade social no Chile nas décadas posteriores. Nos regimes fascistas do período entre-guerras, como o nazista e o fascista italiano, embora fossem intervencionistas na economia, também praticaram políticas de privatização, mas mesmo assim ambos eram estados totalitários porque o estado intervia em todas as esferas da vida privada em questões sociais e não econômicas.
Eu considero o libertarianismo de esquerda muito mais condizente com a ideia de liberdade, porque ele entende que só liberdade econômica não basta para você ter uma sociedade funcional, mas que igualdade de oportunidades, econômica e de direitos é que contribuem para isso.
Eu não acho que qualquer forma de intervenção estatal é sempre negativa. Acho que em certas áreas o estado tem que intervir, que grandes corporações tem que ser reguladas para que não façam o que querem, que uma ampla política de bem-estar social deve ser implementada, pois se for parar para pensar a miséria e a pobreza também são falta de liberdade, e igualdade econômica emancipa. Agora, em outras áreas tipo direitos LGBT, o estado não deveria intervir, pois são direitos humanos que não deveriam ser retirados.
Nesse período, eu cada vez mais tenho afirmado minhas convicções políticas e posição no espectro político. Hoje eu me vejo cada vez mais como de esquerda. Tenho simpatias pela social-democracia e seu estado de bem-estar social. Mas acima de tudo, tenho lido e me interessado bastante por uma ideologia: o libertarianismo.
Essa ideologia enfatiza a importância da noção de liberdade, tanto individual, quanto política, econômica, social. Nos EUA e mais recentemente, no Brasil, com a propaganda bem financiada de "think tanks" e grupos picaretas e oportunistas como o MBL, foi associada à direita política, principalmente na esfera econômica. Porém, o que muitos não sabem é que o libertarianismo tem raízes esquerdistas. Eu me identifico mais com o libertarismo de esquerda. Essa ideologia, ao mesmo tempo que defende liberdade individual, também sabe que a igualdade econômica é importante, porque miséria e pobreza extrema também é falta de liberdade.
Nos EUA, como já foi dito, o libertarianismo é associado à direita, com partidos como o Libertário, que defendem liberdade tanto econômica quanto social. Porém, há grupos conservadores que defendem livre mercado.
O libertarianismo é cético quanto a capacidade do poder do estado e se opõem a qualquer forma de autoritarismo e mais ainda totalitarismo. Porém, um erro dos libertários de direita é considerarem que a liberdade econômica garante necessariamente a liberdade social e política, o que nem sempre é verdade. O melhor exemplo que possa se dar a isso é a ditadura chilena de Augusto Pinochet, em que o general ditador teve o apoio econômico dos economistas da Escola de Chicago, liderados por Milton Friedman. A ditadura chilena foi uma das mais mortais do período na América Latina, e teve como resultado um grande aumento da desigualdade social no Chile nas décadas posteriores. Nos regimes fascistas do período entre-guerras, como o nazista e o fascista italiano, embora fossem intervencionistas na economia, também praticaram políticas de privatização, mas mesmo assim ambos eram estados totalitários porque o estado intervia em todas as esferas da vida privada em questões sociais e não econômicas.
Eu considero o libertarianismo de esquerda muito mais condizente com a ideia de liberdade, porque ele entende que só liberdade econômica não basta para você ter uma sociedade funcional, mas que igualdade de oportunidades, econômica e de direitos é que contribuem para isso.
Eu não acho que qualquer forma de intervenção estatal é sempre negativa. Acho que em certas áreas o estado tem que intervir, que grandes corporações tem que ser reguladas para que não façam o que querem, que uma ampla política de bem-estar social deve ser implementada, pois se for parar para pensar a miséria e a pobreza também são falta de liberdade, e igualdade econômica emancipa. Agora, em outras áreas tipo direitos LGBT, o estado não deveria intervir, pois são direitos humanos que não deveriam ser retirados.
domingo, 11 de junho de 2017
Síndrome de vira latas e a realidade
Eu acho muito engraçado essas pessoas que falam do tal complexo de vira-latas que o brasileiro supostamente possuiria. Tenho a impressão de que elas não vivem no mesmo país que eu vivo. Eu digo. Nós não temos esse complexo. Nós somos vira-latas!
Quase nada funciona nesse país. A educação é uma das piores do mundo, segundo exames do PISA, o sistema de saúde é um lixo, as grandes cidades como o Rio de Janeiro são recheadas de favelas por quase todo lugar, o povo é mal-educado. O que tem pra se orgulhar aqui? Pouca coisa.
Sempre que alguém fala desse tal complexo, eu tenho a impressão de que a pessoa que fala isso vive em um Brasil completamente diferente do qual eu vivo. O brasileiro em geral tem é complexo de mediocridade. Segundo Tom Jobim: "O sucesso no Brasil é ofensa pessoal para muitos". Ninguém pode se destacar em alguma coisa que já é tachado de arrogante. Tem que ser nivelado por baixo. O melhor exemplo são pedagogas que não admitem que crianças superdotadas ganhem educação especial por considerarem isso discriminação com as crianças mais lentas. Nenhum país tem índices excelentes com essa mentalidade.
Existem coisas boas aqui? É claro que tem! Mas não a ponto de você estufar o peito e dizer: "Eu tenho orgulho de ser brasileiro!" Os problemas que temos por aqui são inúmeros e são maiores do que as nossas qualidades.
Sempre tem alguém para dizer: "Ah, mas os países desenvolvidos também tem seus problemas!" Eu sei disso. Ninguém tá negando isso. Só que, colocando os nossos problemas e os dos países avançados numa balança, veremos que eles ainda saem muito na frente de nós. E dizer que tem países muito piores que nós também não ajuda muito. Podia ser pior? Podia. A pobreza na África ou no Haiti faz as nossas favelas parecerem a Noruega! Só que o fato deles serem piores não faz com que aqui seja um paraíso.
E o subdesenvolvimento do Brasil não tem nada a ver com bobagens como determinismo geográfico, (que diz que os países tropicais seriam subdesenvolvidos por causa do clima quente, que tornaria os habitantes preguiçosos, o que é idiotice, pois isso ignora a existência da Austrália, que é quente e desenvolvida, e o fato de que o Oriente Médio era mais desenvolvido que a Europa na Idade Média) nem com a colonização portuguesa (ainda tem iludido que acha que se nós fossemos colonizados por holandeses, ingleses ou franceses seríamos desenvolvidos. Pura besteira! Quem fala isso ignora que temos um vizinho ainda mais miserável, que é o Suriname, que fala holandês!. Ou as inúmeras ilhas do Caribe, colonizadas por ingleses!). Tem a ver com a cultura do brasileiro, que valoriza a malandragem, a desonestidade, a vagabundagem. Somos o país do jeitinho, da Lei de Gérson! Se a gente conseguir mudar essa cultura, o país certamente melhorará e muito. Só que isso infelizmente leva tempo e sacrifício.
O tal "complexo de vira-latas", para mim parece argumento de quem quer fechar os olhos para a realidade e não quer admitir que esse país é um lixo. É através da auto-crítica que as coisas melhoram.
Quase nada funciona nesse país. A educação é uma das piores do mundo, segundo exames do PISA, o sistema de saúde é um lixo, as grandes cidades como o Rio de Janeiro são recheadas de favelas por quase todo lugar, o povo é mal-educado. O que tem pra se orgulhar aqui? Pouca coisa.
Sempre que alguém fala desse tal complexo, eu tenho a impressão de que a pessoa que fala isso vive em um Brasil completamente diferente do qual eu vivo. O brasileiro em geral tem é complexo de mediocridade. Segundo Tom Jobim: "O sucesso no Brasil é ofensa pessoal para muitos". Ninguém pode se destacar em alguma coisa que já é tachado de arrogante. Tem que ser nivelado por baixo. O melhor exemplo são pedagogas que não admitem que crianças superdotadas ganhem educação especial por considerarem isso discriminação com as crianças mais lentas. Nenhum país tem índices excelentes com essa mentalidade.
Existem coisas boas aqui? É claro que tem! Mas não a ponto de você estufar o peito e dizer: "Eu tenho orgulho de ser brasileiro!" Os problemas que temos por aqui são inúmeros e são maiores do que as nossas qualidades.
Sempre tem alguém para dizer: "Ah, mas os países desenvolvidos também tem seus problemas!" Eu sei disso. Ninguém tá negando isso. Só que, colocando os nossos problemas e os dos países avançados numa balança, veremos que eles ainda saem muito na frente de nós. E dizer que tem países muito piores que nós também não ajuda muito. Podia ser pior? Podia. A pobreza na África ou no Haiti faz as nossas favelas parecerem a Noruega! Só que o fato deles serem piores não faz com que aqui seja um paraíso.
E o subdesenvolvimento do Brasil não tem nada a ver com bobagens como determinismo geográfico, (que diz que os países tropicais seriam subdesenvolvidos por causa do clima quente, que tornaria os habitantes preguiçosos, o que é idiotice, pois isso ignora a existência da Austrália, que é quente e desenvolvida, e o fato de que o Oriente Médio era mais desenvolvido que a Europa na Idade Média) nem com a colonização portuguesa (ainda tem iludido que acha que se nós fossemos colonizados por holandeses, ingleses ou franceses seríamos desenvolvidos. Pura besteira! Quem fala isso ignora que temos um vizinho ainda mais miserável, que é o Suriname, que fala holandês!. Ou as inúmeras ilhas do Caribe, colonizadas por ingleses!). Tem a ver com a cultura do brasileiro, que valoriza a malandragem, a desonestidade, a vagabundagem. Somos o país do jeitinho, da Lei de Gérson! Se a gente conseguir mudar essa cultura, o país certamente melhorará e muito. Só que isso infelizmente leva tempo e sacrifício.
O tal "complexo de vira-latas", para mim parece argumento de quem quer fechar os olhos para a realidade e não quer admitir que esse país é um lixo. É através da auto-crítica que as coisas melhoram.
quinta-feira, 1 de junho de 2017
Minha relação com a síndrome de Asperger
Desde criança eu sempre fui um pessoa muito tímida e fechada. Não que quando criança eu não gostasse de brincar com os amigos ou de ir para o play de casa, mas gostava de ficar mais no apartamento. Essa timidez foi aumentando com o passar do tempo até que chegou a adolescência. Nessa época, ela aflorou e eu me fechei ainda mais. Contribuia para isso o bullying que eu sofria na escola, em que faziam piadinhas sem graça com relação ao meu jeito de ser. Passei por um período de depressão, no qual eu só ficava pensando em morte. Recentemente, quando adulto, eu comecei a ter uma paranoia do que as outras pessoas achavam de mim, que eu era playboy, filhinho de papai, coisa que hoje eu sei que eu não sou.
Foi só através de acompanhamento psicológico e psiquiátrico, que eu faço desde criança, que eu descobri que eu possuo síndrome de Asperger, que não é exatamente um autismo clássico, mas um modalidade mais branda dele, em que a pessoa tem como características: timidez exagerada, com uma grande dificuldade para se relacionar com outras pessoas, comportamentos repetitivos, linguagem formal para a idade, dificuldade de entender ironias, etc...
O meu Asperger é considerado leve, de forma que não me prejudica tanto. O mais incrível é que quando eu descobri que tinha essa síndrome, a minha vida melhorou muito. Eu passei a entender os problemas que eu tinha, as fixações, as neuroses. Fiquei mais confiante e com maior garra para enfrentar a vida. Meus pais ficaram com receio de contar pra mim quando mais novo pois na época que eu estava com depressão, eu poderia ter ficado pior. Mesmo assim, eu não reclamo porque o que importa é que eu melhorei.
Existe um vlogueiro no youtube chamado Nelson Marra, que é portador da síndrome de Asperger e faz vídeos falando sobre o portador e sua vida, sobre como a gente reage a ela. É um canal muito interessante. Se chama "Autismo com Amor".
Foi só através de acompanhamento psicológico e psiquiátrico, que eu faço desde criança, que eu descobri que eu possuo síndrome de Asperger, que não é exatamente um autismo clássico, mas um modalidade mais branda dele, em que a pessoa tem como características: timidez exagerada, com uma grande dificuldade para se relacionar com outras pessoas, comportamentos repetitivos, linguagem formal para a idade, dificuldade de entender ironias, etc...
O meu Asperger é considerado leve, de forma que não me prejudica tanto. O mais incrível é que quando eu descobri que tinha essa síndrome, a minha vida melhorou muito. Eu passei a entender os problemas que eu tinha, as fixações, as neuroses. Fiquei mais confiante e com maior garra para enfrentar a vida. Meus pais ficaram com receio de contar pra mim quando mais novo pois na época que eu estava com depressão, eu poderia ter ficado pior. Mesmo assim, eu não reclamo porque o que importa é que eu melhorei.
Existe um vlogueiro no youtube chamado Nelson Marra, que é portador da síndrome de Asperger e faz vídeos falando sobre o portador e sua vida, sobre como a gente reage a ela. É um canal muito interessante. Se chama "Autismo com Amor".
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